Com base nos estudos realizados pelo curso Educação para a Diversidade e Cidadania, ministrado pela UAB pólo Diadema em parceria com a UNESP, tivemos a oportunidade de discutirmos sobre inúmeras questões importantes e relevantes a cerca do tema da formação. Entre eles gostei muito da primeira unidade que fundamenta uma educação na e para a diversidade tão presente em nossas comunidades e principalmente em nossas salas de aula, penso que questões como estas não são modismos, muito pelo contrario são questões atuais e de imensa necessidade diante das dificuldades que visualizamos e vivenciamos na prática de discriminação das mais variadas possível e das infinitas violências cada vez mais crescentes.
Precisamos enquanto profissionais da educação aprofundar temas e conceitos para ter claro nossas atitudes e posturas diante das diferentes situações do nosso cotidiano escolar e da nossa responsabilidade social. E de fundamental importância nos instrumentalizamos diante da crescente rede de comunicação na qual se tornado a internet principalmente e influencia que a mesma causa em nossa vida e na vida dos nossos alunos e seus familiares.
O mundo em que vivemos está se tornando cada vez mais amplo e ao mesmo tempo mais acessível diante das muitas facetas postas, seja pela mídia, diferentes grupos sociais, salas de bate papo e a própria internet como um todo e tantas outras forma que se colocam para ser e estar neste planeta.
Estudar a história também nos faz refletir diante das diferentes interpretações que moveram épocas inteiras de determinados conceitos, como por exemplo, a questão da tolerância que deu origem no século XVI como uma atitude de "suportar"..."suportar com paciência aquilo que é degradável, injusto, defeituoso"... na ideologia da visão européia¹ A meu ver não muito diferente mais com outro enfoque na modernidade vem a visão da tolerância como um ato de indulgência, ..."clemência, indulto, perdão, remissão das penas, misericordia..."² eis que chegamos ao liberalismo que coloca em foco a questão do individuo com competências intelectuais e morais capaz de contribuir para o bem estar da sociedade, no entanto, ainda via a cultura de forma isolada sem levar em consideração ao processo histórico de dominação entre as diferentes culturas existentes. Já no sentido progressista onde penso ter sido o que mais se aproximou de um sentido verdadeiro de tolerância, que o vê como uma atitude de reconhecimento do outro e o respeito mútuo às diferenças, bem como pela diversidade cultural, sendo resistente a tudo aquilo que provoca opressões e desigualdades sociais, se colocando numa postura de ação solidária para superação destas desigualdades e valorização da diversidade cultural de forma cooperativa para alcançar objetivos comuns.
¹ Segundo autor Clodoaldo Meneguello Cardoso.
² Segundo autor Clodoaldo Meneguello Cardoso.
Concordo com Marcuse (1970) que a autêntica tolerância deve se libertadora da violência e da opressão, porém me chamou muita atenção à forma como descreve Noberto Bobbio (1909-2004) que classifica a tolerância e a intolerância como boa e ruim. Refleti muito sobre o par de opostos colocados por ele e sobre a consideração de existir tolerância boa e ruim e ao mesmo tempo de existir intolerância boa e ruim e sou capaz de afirmar que talvez tenha sido este o ponto da primeira unidade que mais me marcou. Acredito que em muitas e diferentes situações não nos damos conta da real importância do sentido que se tratam determinados assuntos e da importância de se conhecer o significado das palavras muitas vezes pronunciadas por nos sem conhecimento profundo e que necessariamente precisam ser debatidas e divulgadas como é ocaso dos pares de opostos tão significativos, esclarecedores e importantes diante da problemática colocada e vivenciada diariamente de violência e discriminação contra o ser humano.
Para mim é perfeita a colocação dos opostos nem sempre visualizado ou até mesmo trabalhados, quando no reportamos a palavra tolerância nos vem a mente algo bom, geralmente relacionado a paciência, compreensão que talvez tenha sido construído inclusive historicamente, o mesmo acontece quando nos reportamos a palavra intolerância, de imediato pensamos em algo ruim, de alguém intransigente mas não nos damos conta de que tanto um quanto a outro pode se colocar em posições opostas em diferentes situações e até mesmo serem combinadas como nos coloca Bobbio. A tolerância ruim se coloca quando nos colocamos passivos diante das desigualdades, indiferentes ao outro e com as situações de opressão, o que também é verdade em relação à intolerância boa quando denunciamos toda e qualquer forma de opressão e descriminação, quando nos colocamos opostos a tais atitudes e defendemos posições de igualdade, liberdade e respeito a diferença. Quando falamos de tolerância no seu sentido bom ou positivo falamos de convivência pacífica, princípios de igualdade, liberdade e respeito, ao mesmo tempo em que quando falamos de intolerância ruim ou negativa é a rejeição das atitudes de preconceito e das diferentes formas de exclusão.
Sendo assim tempos a tolerância boa fazendo par com a intolerância boa, a primeira na "defesa da liberdade, respeito às diferenças e convivência na diversidade" e a outra com a "indignação, rejeição e combate à opressão e às desigualdades". Ao mesmo tempo temo a tolerância ruim que é a "indiferença ao outro, à situação de opressão e desigualdades" fazendo par com a intolerância ruim com "atitudes de discriminação, preconceito, exclusão e opressão" e enfim os pares de oposições a tolerância boa e a intolerância ruim já muito conhecidas como descrevi acreditando ser por uma concepção histórica construída ao longo dos tempos e a intolerância boa e a tolerância ruim que deve ser discutida e amplamente trabalhada.
Assim como foi trabalhada a questão da tolerância também devemos estar atentos aos diferentes enfoques existentes quanto ao conceito sobre preconceito, diversidade e desigualdade, liberdade e igualdade, cidadania passiva e ativa, violência e paz conceitos estes importantes e necessários para a formação integral do ser humano, que necessita cada vez mais reforçar valores adormecidos e até mesmo perdidos diante da diversidade e da enxurrada de informações veiculando nos dia atuais. Os indivíduos precisam tomar consciência de quem são e saber dos seus direitos, descobrirem ou redescobrirem o valor da diversidade em geral. As diferenças pessoais podem ser naturais, no entanto, sofrem a influem do tempo histórico, assim como as desigualdades são fruto das dominações e explorações sofridas pelos povos ao longo deste mesmo tempo histórico.
A educação tem grande responsabilidade na formação do individuo, principalmente na relação que este estabelece com o mundo, pois é através dela que se tem contato com diferentes culturas e por conseqüência com as diferentes formas de exclusão, preconceito e violência que farão dele um cidadão ativo ou passivo diante das diversidades deste mundo. Cabe a educação estimular o pensamento coletivo, pois cada um é sujeito de direito e deve exercer uma cidadania de participação coletiva para o bem estar comum contra a opressão e toda e qualquer forma de violência e preconceito.
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