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domingo, 6 de março de 2011

CARNAVAL E PRECONCEITO: Vamos Refletir...?

Reportagem de Carlos Heitor Cony do Jornal Folha de São Paulo, 06 de martço de 2011.
"Rio de Janeiro - Fernando Pamplona tinha razão ao pedir uma corta de negros, não para as univerdidades, mas para as escolas de samba do Rio de Janeiro. Nos últimos Carnavais, mais da metade dos integrantes eram brancos, alguns de bronzeados pelo sol verão acachapante, outros artificialmente, como a maioria dos destaques.
Pouco a pouco, a fixação do Carnaval num único eixo (o desfile em si), transformou a festa popular, que nasceu espontânea e livre, num episódio da mídia, sujeito às leis do mercado, aos patrocínios. Neste particular, igualando-se às campanhas eleitorais e ao lobby dos produtores de show s, peças e filmes para promover seus espetáculos.
Ano passado, encontrei um carnavalesco e perguntei sobre seu trabalho, o que estava bolando para o desfile 2011. Ele tinha mil idéias (os carnavalescos são pródigios em idéias), mas não se fixara em nenhuma porque nada combinara com os patrocinadores.
Somente mais tarde, definidos os parâmetros de cada escola, é que os cenôgrafos poderiam começar a trabalhar. É aquela piada de Garrincha sobre os russos, mas às avessas. Primeiro é preciso combinar com os russos, os adversários. No terreno deixado livre, aí é que o pessoal da base, cenográfos, músicos, destaques, etc. poderiam começar o trabalho.
A cota de negros reclamada por Pamplona é consquência desta mercantilização do desfile carioca. Não sou entendido do assunto, acho que em outras praças, sobretudo nas do Norte e Nordeste, a festa popular não sofre desse mal. Mas o Rio de Janeiro, com o apelo cada vez maior do mercado, haverá necessidade de um corta mínima de negros aos quais devemos tanto em nossa formação econômica, cultural e artística"
Com a reprodução da matéria podemos nos envergonhar da influenciacada vez mais negativa do mercado em nossa vida, precisamos ficar atentos e propor reflexões como esta em nossas rodas de bate papo e mostrar que nós movimentamos este mercado, e portanto devemos pensar estratégias para mostrar a este "mercado" que não estamos satisfeitos com estes e tantos outro resultados de discriminação e "controle" da criatividade em função da mídia e da comercialização desenfreada de peso ideal, cor ideal, classe social, estilo de vida e tantas outra modas posta a disposição como perfeições e modelo de sociedade e personalidade.

quarta-feira, 2 de março de 2011

Diversidade: uma questão de Cidadania

Com base nos estudos realizados pelo curso Educação para a Diversidade e Cidadania, ministrado pela UAB pólo Diadema em parceria com a UNESP, tivemos a oportunidade de discutirmos sobre inúmeras questões importantes e relevantes a cerca do tema da formação. Entre eles gostei muito da primeira unidade que fundamenta uma educação na e para a diversidade tão presente em nossas comunidades e principalmente em nossas salas de aula, penso que questões como estas não são modismos, muito pelo contrario são questões atuais e de imensa necessidade diante das dificuldades que visualizamos e vivenciamos na prática de discriminação das mais variadas possível e das infinitas violências cada vez mais crescentes.
Precisamos enquanto profissionais da educação aprofundar temas e conceitos para ter claro nossas atitudes e posturas diante das diferentes situações do nosso cotidiano escolar e da nossa responsabilidade social. E de fundamental importância nos instrumentalizamos diante da crescente rede de comunicação na qual se tornado a internet principalmente e influencia que a mesma causa em nossa vida e na vida dos nossos alunos e seus familiares.
O mundo em que vivemos está se tornando cada vez mais amplo e ao mesmo tempo mais acessível diante das muitas facetas postas, seja pela mídia, diferentes grupos sociais, salas de bate papo e a própria internet como um todo e tantas outras forma que se colocam para ser e estar neste planeta.
Estudar a história também nos faz refletir diante das diferentes interpretações que moveram épocas inteiras de determinados conceitos, como por exemplo, a questão da tolerância que deu origem no século XVI como uma atitude de "suportar"..."suportar com paciência aquilo que é degradável, injusto, defeituoso"... na ideologia da visão européia¹ A meu ver não muito diferente mais com outro enfoque na modernidade vem a visão da tolerância como um ato de indulgência, ..."clemência, indulto, perdão, remissão das penas, misericordia..."² eis que chegamos ao liberalismo que coloca em foco a questão do individuo com competências intelectuais e morais capaz de contribuir para o bem estar da sociedade, no entanto, ainda via a cultura de forma isolada sem levar em consideração ao processo histórico de dominação entre as diferentes culturas existentes. Já no sentido progressista onde penso ter sido o que mais se aproximou de um sentido verdadeiro de tolerância, que o vê como uma atitude de reconhecimento do outro e o respeito mútuo às diferenças, bem como pela diversidade cultural, sendo resistente a tudo aquilo que provoca opressões e desigualdades sociais, se colocando numa postura de ação solidária para superação destas desigualdades e valorização da diversidade cultural de forma cooperativa para alcançar objetivos comuns.
¹ Segundo autor Clodoaldo Meneguello Cardoso.
² Segundo autor Clodoaldo Meneguello Cardoso.
Concordo com Marcuse (1970) que a autêntica tolerância deve se libertadora da violência e da opressão, porém me chamou muita atenção à forma como descreve Noberto Bobbio (1909-2004) que classifica a tolerância e a intolerância como boa e ruim. Refleti muito sobre o par de opostos colocados por ele e sobre a consideração de existir tolerância boa e ruim e ao mesmo tempo de existir intolerância boa e ruim e sou capaz de afirmar que talvez tenha sido este o ponto da primeira unidade que mais me marcou. Acredito que em muitas e diferentes situações não nos damos conta da real importância do sentido que se tratam determinados assuntos e da importância de se conhecer o significado das palavras muitas vezes pronunciadas por nos sem conhecimento profundo e que necessariamente precisam ser debatidas e divulgadas como é ocaso dos pares de opostos tão significativos, esclarecedores e importantes diante da problemática colocada e vivenciada diariamente de violência e discriminação contra o ser humano.
Para mim é perfeita a colocação dos opostos nem sempre visualizado ou até mesmo trabalhados, quando no reportamos a palavra tolerância nos vem a mente algo bom, geralmente relacionado a paciência, compreensão que talvez tenha sido construído inclusive historicamente, o mesmo acontece quando nos reportamos a palavra intolerância, de imediato pensamos em algo ruim, de alguém intransigente mas não nos damos conta de que tanto um quanto a outro pode se colocar em posições opostas em diferentes situações e até mesmo serem combinadas como nos coloca Bobbio. A tolerância ruim se coloca quando nos colocamos passivos diante das desigualdades, indiferentes ao outro e com as situações de opressão, o que também é verdade em relação à intolerância boa quando denunciamos toda e qualquer forma de opressão e descriminação, quando nos colocamos opostos a tais atitudes e defendemos posições de igualdade, liberdade e respeito a diferença. Quando falamos de tolerância no seu sentido bom ou positivo falamos de convivência pacífica, princípios de igualdade, liberdade e respeito, ao mesmo tempo em que quando falamos de intolerância ruim ou negativa é a rejeição das atitudes de preconceito e das diferentes formas de exclusão.
Sendo assim tempos a tolerância boa fazendo par com a intolerância boa, a primeira na "defesa da liberdade, respeito às diferenças e convivência na diversidade" e a outra com a "indignação, rejeição e combate à opressão e às desigualdades". Ao mesmo tempo temo a tolerância ruim que é a "indiferença ao outro, à situação de opressão e desigualdades" fazendo par com a intolerância ruim com "atitudes de discriminação, preconceito, exclusão e opressão" e enfim os pares de oposições a tolerância boa e a intolerância ruim já muito conhecidas como descrevi acreditando ser por uma concepção histórica construída ao longo dos tempos e a intolerância boa e a tolerância ruim que deve ser discutida e amplamente trabalhada.
Assim como foi trabalhada a questão da tolerância também devemos estar atentos aos diferentes enfoques existentes quanto ao conceito sobre preconceito, diversidade e desigualdade, liberdade e igualdade, cidadania passiva e ativa, violência e paz conceitos estes importantes e necessários para a formação integral do ser humano, que necessita cada vez mais reforçar valores adormecidos e até mesmo perdidos diante da diversidade e da enxurrada de informações veiculando nos dia atuais. Os indivíduos precisam tomar consciência de quem são e saber dos seus direitos, descobrirem ou redescobrirem o valor da diversidade em geral. As diferenças pessoais podem ser naturais, no entanto, sofrem a influem do tempo histórico, assim como as desigualdades são fruto das dominações e explorações sofridas pelos povos ao longo deste mesmo tempo histórico.
A educação tem grande responsabilidade na formação do individuo, principalmente na relação que este estabelece com o mundo, pois é através dela que se tem contato com diferentes culturas e por conseqüência com as diferentes formas de exclusão, preconceito e violência que farão dele um cidadão ativo ou passivo diante das diversidades deste mundo. Cabe a educação estimular o pensamento coletivo, pois cada um é sujeito de direito e deve exercer uma cidadania de participação coletiva para o bem estar comum contra a opressão e toda e qualquer forma de violência e preconceito.

Referências

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BOBBIO, N. As razões da tolerância. In: A era dos direitos Trad. Carlos Nelson Coutinho. Rio de Janeiro: Campus, 1992.

CARDOSO, C. M. Formação de valores e seus dilemas. Revista: SESC-SP, nº 1, julho de 2004, São Paulo, v. 1. p. 37-39. 2004.

________ Fundamentos filosóficos da intolerância. In: CARDOSO. C. M. (org.) Convivência na diversIdade: cultura educação e mídia. São Paulo: Cultura Acadêmica (Unesp), 2008 p. 16-28.

________Tolerância e seus limites: um olhar latino-americano sobre a diversidade e desigualdade. São Paulo:Editora Unesp, 2003

CAFIDNE. I. Igualdade versus diferença. In AQUINIO, J. G. (org.) Diferenças e preconceito na escola: alternativas teóricas e práticas. São Paulo: Summus, 1998. p. 171 182)

CHAUI, M. Convite à filosofia. 13. ed. São Paulo. Atíca, 2003.

DUSSEL. E 1942 — o encobrimento do outro: a origem do mito da modernidade. Trad. Jaime A. Clasen. Petrópolis: Vozes, 1993.

FREIRE. P. Conferência de abertura Encontro sobre a tolerância na América
Latina e no Caritie, Rio de Janeiro, 12/09/94. Arquivo em áudio no Núcleo pela Tolerância da Unesp, Campus Bauru.

GADOTTI, M Paulo Freire: uma bibliografia. São Paulo Cortez: lnstituto Paulo Freire: Brasília: Unesco, 1996.

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MCLAREN. P. Mullticulturalismo crítico. Trad. Bebel Orofino Schaefer São Paulo: Cortei 1997